quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Negócios



O lixo que é um risco à saúde pode ser um bom negócio

Lixo que é risco à saúde pode ser um bom negócio.
Décio Viotto - 25/1/2010 - 19h40

Renato Luiz Ferreira/e-SIM

Produtos podem ter em sua constituição metais pesados, altamente tóxicos, como lítio, cádmio e mercúrio.
Os serviços de pós-consumo são uma tendência que deverá conquistar cada vez mais espaço no mercado. Empreendimentos que se propõem a dar tratamento adequado ao lixo eletrônico, reaproveitando ao máximo suas substâncias e descartando o restante de forma segura, têm clientes garantidos para os próximos anos. São negócios que vêm embalados nas mudanças das práticas de sustentabilidade que, mesmo ainda sendo tímidas, já começam a mostrar resultados.

Eliminar de maneira adequada materiais como celulares, computadores e eletrodomésticos, entre outros, é parte da garantia de que o futuro poderá ser saudável para as gerações que estão por vir. Diferentemente do lixo doméstico, o eletrônico normalmente será eliminado em intervalos longos. O celular tem vida útil de dois a três anos, um microcomputador, de quatro a cinco, um televisor, de sete a dez anos.
Ernesto Watanabe, diretor-geral da Descarte Certo, empresa especializada em dar um fim adequado a todo esse material, lembra que o trabalho precisa ser criterioso, já que os resíduos podem constituir sérios riscos ao meio ambiente e, por extensão, ao ser humano. Por isso, não podem ser abandonados em lixões. Em sua constituição há metais pesados, altamente tóxicos, como lítio, cádmio, mercúrio, berílio e chumbo, entre outros. Qualquer um desses elementos, simplesmente jogado ao ar livre, fica sujeito à ação de chuva, oxidação, impacto mecânico ou ressecamento. As consequências são os mais variados danos à saúde.
Custo – Daí a necessidade de garantir que o material seja descartado de forma correta. O que implica em custo – alto a uma primeira vista – para esse tipo de serviço e a boa oportunidade de negócio que surge disso. Para se livrar do lixo eletrônico, o consumidor de São Paulo gasta entre R$ 20,90 e R$ 152,90, de acordo com a Descarte Certo. O valor depende do produto, da quantidade e da localidade. Para se ter uma base de comparação, em São Paulo, pelos cálculos feitos por Watanabe, o custo médio do lixo "comum" por cidadão é de R$ 82 por ano.
Mesmo assim, os sócios da empresa apostam – e muito – na viabilidade do negócio. Tanto que a companhia está para anunciar uma parceria com uma rede bancária, que vai oferecer serviço de coleta com desconto para grupos de clientes. "Essa ação conjunta vai estimular mais pessoas a tomar atitudes responsáveis na hora de descartar seus produtos fora de uso", diz Watanabe.
Para ele, mais dia, menos dia, a sustentabilidade fará parte do cotidiano do cidadão. "Não adianta empurrar a velha geladeria ou televisão para a empregada. Será um ônus", afirma o executivo. "Esse tipo de descarte será coisa do passado."
Pesquisa realizada no ano passado nos Estados Unidos revelou que uma em cada quatro residências acumula até 4,5 quilos de material eletroeletrônico. E de duas a três casas, em cada quatro, acima dessa quantidade.

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